quarta-feira, 29 de abril de 2026

Quem mora aqui?

 


Já não és aquele
que outrora tanto amei,
que, como um sol,
me tomou de modo ardente;
Aquele a quem ainda ontem me entreguei
e sensual me arrebatou
num beijo quente.
Daquele claro amor,
depressa te cansaste...

Nesse teu olhar seco
que tanto espelha a frieza,
Num rigoroso descuido,
não vês no que me tornaste,
que me perdi
ao saltar da alegria para a tristeza.

Que aposento sombrio
é esta noite que não tem fim,
onde o segredo
não se desvela...
é apenas teu.

Enquanto lágrimas loucas
se riem de mim,
eu choro o amor
que de mim se perdeu.
Estou tão longe
de saber quem és agora;
sinto que também já não sei
quem sou.
Parece que fomos os dois embora
e que aquele amor
nunca aqui morou!

Ada Abaé

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