Este livro é de Maria
que ama a luz, ama a vida,
ama o afeto, ama o abraço,
ama o sol, ama o luar
a mesma que nem sempre se acha,
de tão perdida nos desafetos
que a impedem de se encontrar.
Na dificuldade em descobrir
amanheceres serenos
num mundo tantas vezes rude,
ela acorda, lavra rochas
e derrama a própria seiva
em terrenos pouco amenos,
no anseio de encontrar na vida,
a plenitude.
Repetidamente, silenciosa, perde-se
na tentativa de entender
o que à sua volta acontece.
São muitas as vezes
em que lhe dão outro nome...
São tantos os que julgam conhecê-la,
e nem uma só vez
chegaram a vê-la.
Quantas palavras absurdas
lhe tentam o futuro construir
e ela na dureza do enredo humano
tenta cinzelar as asas.
Que loucura,
a falta de altura
que lhe dão!
Enquanto para gerar vida
não se inventar outra forma:
toda a natureza humana
está sujeita ao ventre da mulher.
É, por enquanto, norma.
Ada Abaé
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