quarta-feira, 29 de abril de 2026

Maria, tão bela!

 

Foi numa tarde quente
que sentiu o coração apaixonado
e acreditou...
De pernas bambas e olhos arregalados,
entregou-se, crente
de que o amor se abrira como um rio.

Mãos subtis
desordenaram-lhe a pele,
e um corcel vigoroso e húmido
entranhou-se nela,
igual a uma centelha acesa.

Ofegante, trincou os lábios
enquanto o mel lhe rasgava a selva.
Depois da paixão consumada
de Maria desonrada
mulher imersa na desgraça,
ah, Maria, Maria tão bela,
perdeu toda a graça!

Assim a opinião alheia exclama,
indiferente
se está a tentar lançar uma pérola à lama.
Que estranho encanto
sente o homem
em provocar, no mais frágil, o pranto.

Ada Abaé

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