Silêncio que Restaura
Depois da nossa última discussão, calei-me. Reparaste que me calei? Não penses que foi fácil. Na última noite em que discutimos, deitámo-nos de costas voltadas um para o outro. Eu já tinha decidido fechar os olhos e dormir, mas tu, pelo resultado, não te deitaste com o mesmo objetivo. Falaste, falaste noite inteira. Levantaste-te algumas vezes, sempre a falar. Que vontade eu tinha de levantar-me também e rebater cada palavra tua, mas limitei-me a imaginar a tua figura inquieta, invasora do sossego do quarto. Não foi fácil, não! A força com que cerrava a boca revolvia-me as entranhas tão intensamente que, quatro dias depois, ainda sentia os maxilares doridos… o corpo inteiro a pedir descanso. As tuas palavras, a minha mente guardou-as todas, como se as tivesse escrito numa folha de papel. As poucas horas que dormimos não apagaram o desconforto existente entre nós e, apesar de tentarmos falar coisas triviais, elas ainda passam diante dos nossos olhos como um filme que deixa...