Sessenta cêntimos
Calcei as botas e vesti o casaco. Estes dois acessórios disfarçavam o confortável, mas velho, fato de treino. Desci à garagem, entrei no carro e, tornando a enfrentar o forte nevão, conduzi rumo ao supermercado. Na hora do pagamento, hesitei entre as duas caixas abertas. Escolhi aquela onde o cliente tinha menos compras. Erro! A senhora trazia uns folhetos que lhe ofereciam um desconto. Insatisfeita com o trabalho da empregada, exigiu que chamasse o gerente. O gerente veio e resolveu o caso: pagou à senhora os sessenta cêntimos que lhe eram devidos. Ela dirigiu um sorriso vencedor à pobre empregada, cujo problema estava à vista de qualquer um: não conseguia ler letras muito pequenas. Por sessenta cêntimos, a senhora criou uma fila onde permaneci por vinte e cinco minutos. Ao chegar à rua, elevei o rosto e recebi os flocos de neve com um sorriso. Após a cena da senhora dos sessenta cêntimos, a mesma paisagem que antes me aborrecia passou a ser um bálsamo. Num mundo cinzento, muita...