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RIDE THE WIND RANCH

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       A duzentos e dezoito quilómetros de Edmonton, no centro-oeste de Alberta, Canadá, na confluência dos rios Clearwater e North Saskatchewan e com uma longa história que vem desde o século XVIII, fica situada a pequena cidade Rocky Mountain House.      Ela serve de marco na mudança, não apenas da estrada, mas de toda a paisagem que nos conduz em direção ao Ride the Wind Ranch.      Funciona como um filtro, esvaziando-nos da poluição sonora e de toda a correria do dia a dia, a estrada de gravilha que rompe léguas e léguas da frondosa e extensa floresta. A PRIMEIRA VISITA AO RANCHO E O CAIR DA NOITE Vinte e um quilómetros depois de Rocky Mountain House, surgiu a indicação: "Ride the Wind Ranch". Quanta vida palpitava, protegida por toda aquela extensão de árvores! Do lado esquerdo, os grous-canadianos conviviam em paz com os bois. Do lado direito, dois coelhinhos brincavam livremente. Paramos ao lado da casa. No cimo das curtas...

Desnecessário

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  Não recuso, nem acuso a tua tristeza. Apenas quero dizer-te: não lhe somes o rancor nem o julgamento. Ou seja, mais um fardo... Ada Abaé

Quem mora aqui?

Já não és aquele que outrora tanto amei, que, como um sol, me tomou de modo ardente; Aquele a quem ainda ontem me entreguei e sensual me arrebatou num beijo quente. Daquele claro amor, depressa te cansaste... Nesse teu olhar seco que tanto espelha a frieza, Num rigoroso descuido, não vês no que me tornaste, que me perdi ao saltar da alegria para a tristeza. Que aposento sombrio é esta noite que não tem fim, onde o segredo não se desvela... é apenas teu. Enquanto lágrimas loucas se riem de mim, eu choro o amor que de mim se perdeu. Estou tão longe de saber quem és agora; sinto que também já não sei quem sou. Parece que fomos os dois embora e que aquele amor nunca aqui morou! Ada Abaé

Maria, tão bela!

Foi numa tarde quente que sentiu o coração apaixonado e acreditou... De pernas bambas e olhos arregalados, entregou-se, crente de que o amor se abrira como um rio. Mãos subtis desordenaram-lhe a pele, e um corcel vigoroso e húmido entranhou-se nela, igual a uma centelha acesa. Ofegante, trincou os lábios enquanto o mel lhe rasgava a selva. Depois da paixão consumada de Maria desonrada mulher imersa na desgraça, ah, Maria, Maria tão bela, perdeu toda a graça! Assim a opinião alheia exclama, indiferente se está a tentar lançar uma pérola à lama. Que estranho encanto sente o homem em provocar, no mais frágil, o pranto. Ada Abaé

Entreguei-me com prazer

Entreguei-me com prazer, quem me pode acusar? Entreguei-me como muitas mulheres na juventude esquecendo que nos acusam de pecar os grandes pecadores deste mundo cego e rude. Ada Abaé

Maria

Este livro é de Maria que ama a luz, ama a vida, ama o afeto, ama o abraço, ama o sol, ama o luar a mesma que nem sempre se acha, de tão perdida nos desafetos que a impedem de se encontrar. Na dificuldade em descobrir amanheceres serenos num mundo tantas vezes rude, ela acorda, lavra rochas e derrama a própria seiva em terrenos pouco amenos, no anseio de encontrar na vida, a plenitude. Repetidamente, silenciosa, perde-se na tentativa de entender o que à sua volta acontece. São muitas as vezes em que lhe dão outro nome... São tantos os que julgam conhecê-la, e nem uma só vez chegaram a vê-la. Quantas palavras absurdas lhe tentam o futuro construir e ela na dureza do enredo humano tenta cinzelar as asas. Que loucura, a falta de altura que lhe dão! Enquanto para gerar vida não se inventar outra forma: toda a natureza humana está sujeita ao ventre da mulher. É, por enquanto, norma. Ada Abaé

Almas desidratadas

Já não te peço que me escutes. Tenho de me restringir a esta irremediável passividade, fingir que não entendo a tua excessiva impaciência. Quando aumentas o volume da tua voz, já sei, estás ávido por silêncio. De mim apodera-se uma dor que me corrói a garganta. O que tu não sabes é que já nem à recordação dos dias contentes que tivemos eu recorro. Fechei essa janela... Não existe mais razão para continuar aberta. Somos almas desidratadas pelo abuso dos hábitos. A nossa linguagem foi-se transformando e fizemo-nos estranhos aos abraços que mantinham a doçura da partilha. Sabes, mesmo assim, numa última tentativa, eu queria dizer-te: Lá fora canta um passarinho... Mas calei-me ao perceber que perderas aquele ar de rapazinho que a rir, ia atrás de mim até à janela e, abraçados, caíamos naquela poesia mágica estendida pelo nosso horizonte. Perdemos as asas de fogo e desabamos no deserto... Ada Abaé