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Pancadas estranhas

  Por vezes a vida detém-se, definha na espiga na eira envolvida com o pó sob o sol do estio que a vai secando... Por vezes a vida detém-se, definha na espiga na eira envolvida com o pó que vai esvaziando sob as pancadas do mangual, escravo das mãos do lavrador que é escravo da própria dor. Por vezes a vida detém-se, definha nas pancadas do mangual que numa explosão bate no chão, escravo do lavrador que morde o suor como quem não sabe do que é feita a vida mas adivinha; a vida de pancadas estranhas não se detém e ele, ele definha... Ada Abaé Aos homens que, de sol a sol, labutavam nos campos e nas eiras. Imagem produzida no Canva

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