Aprendemos, aceitamos e devoramo-nos
Aprendemos a chamar à resignação de amor ao ódio de paixão. Polimo-nos até sufocar nas aparências, e os senhores poderosos, ainda que mundanos, exigem-nos mansidão e silêncio às nossas questões. E o mais grave, o mais grave, é que, mesmo em desespero, acabamos todos por viver no reflexo de cada um, como se fôssemos modelos de trapo nas mãos de costureiros que, zombando da nossa feiura, escondem os defeitos dos seus pontos. Vivemos exilados na máquina infernal do mundo e sorrimos... Sorrimos como patetas que lutam por um futuro que nos prende mais e mais. Somos mercadoria enviada a leilão, sem nos importarmos com a exata proporção do que somos. Quase nada é mais importante do que o fulgor do imposto, que nem sempre nos abriga em tempos frágeis, mas que não falta para comprar armas para matar o nosso semelhante; quem sabe, até os próprios filhos. Mas o mundo esconde muitas guerras. Vivemos em constante rutura com a nossa verdade e inventamos histórias qu...