Comparações
Uma das particularidades do ser humano é o enorme hábito de comparar. Comparamos o que temos, o que fazemos, o que somos. Comparamos o outro a partir de fragmentos, impressões parciais. E, quando o fazemos, estreitamos não apenas o campo de visão sobre aquilo ou aquele que avaliamos: estreitamos também o nosso próprio horizonte interior. Toda a comparação é uma forma de enclausuramento. Tanto do objeto observado como do sujeito que observa. Nada nem ninguém pode ser realmente comparado. É verdade que os seres humanos partilham emoções e impulsos semelhantes, mas cada pessoa é uma única história, composta por memórias, desejos, mágoas, batalhas... Para uma comparação justa, teríamos de conhecer totalmente aqueles que julgamos medir.Teríamos de saber tudo: o que sentem, o que desejam, o que temem, o que viveram secretamente e o que escondem até de si próprios.Teríamos de atravessar a totali...