Confrontos
A arrogância vive em estado de alerta. Desconfia de tudo o que não reage, de tudo o que não devolve a provocação no mesmo tom. Precisa de confronto para sentir que existe. Exige resposta como prova de vida, como se o silêncio fosse ausência de sangue nas veias, como se a calma fosse medo disfarçado. Há, na arrogância, uma pressa constante: provocar, medir, testar limites. Ela só reconhece o mundo quando encontra resistência no mesmo tom. Quando não a encontra, inquieta-se. O que não reage torna-se ameaça, porque escapa às regras do jogo que ela conhece. A serenidade, para a arrogância, é um enigma intolerável. Por isso, a arrogância afia as palavras, endurece a presença, prepara-se como quem entra numa batalha. Espera o descontrolo do outro, a explosão, o erro — qualquer coisa que legitime a sua própria dureza. Mas a serenidade não se dispõe ao combate. Ela não responde no mesmo tom porque não reconhece a ne...









