Manhã diferente
Às 5h30 da manhã, aqui em Edmonton, Canadá, sem conhecer nenhuma regra de futebol, assisto ao jogo de futebol entre Portugal e Coreia. Mas tenho motivos para tal.
Será que assisto ao jogo porque gosto de futebol? Não tanto assim! Por concordar com algumas irregularidades que contornam este desporto, que movimenta grandes quantias de dinheiro e grandes massas humanas? Não!
Porque a minha vida gira em torno das pessoas que amo. Então, é o apego às pessoas que são a minha vida, que me faz estar aqui neste sofá, tentando ver os golos que marcam (e, neste momento, Portugal já marcou 4 golos e Hugo Almeida acabou de levar um cartão amarelo, não sei se justo ou não; deixo isso para os entendidos em futebol).
O meu interesse é apenas o de informar o meu marido, que saiu de casa para trabalhar precisamente no inicío do jogo, e de ir trocando impressões com o meu filho, que assiste neste momento ao jogo em Portugal. Razões suficientes para me manter aqui até ao final do jogo.
E Portugal acabou de marcar o quinto golo!
No entanto, como não consigo ficar quieta a ver o jogo, vou olhando e escrevendo na presença de uma personagem que já faz parte do meu dia a dia: a lebre, que diariamente vive em frente da minha varanda, gozando a frescura da relva.
Numa postura atenta, passa horas parada, olhando para dentro de casa, talvez analisando o que faço ou esperando que, na minha boa vontade, lhe dê alguma coisa para comer. De salientar que, por aqui, todos os animais se movimentam em liberdade, sem ninguém lhes fazer mal.
Cristiano Ronaldo acabou de marcar um golo e Portugal ganha seis a zero. Certamente será um dia que os adeptos de futebol recordarão por muito tempo.
E Tiago marcou o sétimo golo.
Enquanto os portugueses se agitam na bancada pela vitória de sete a zero, a lebre apenas acomoda as patinhas de vez em quando.
Cada um vive o momento à sua maneira.
Eu vou fazer um café e brindar à Seleção Portuguesa. Ainda que torça o nariz aos bastidores do futebol, gosto da seleção. Vislumbres de quem leva Portugal para qualquer parte do mundo.
escrito: segunda-feira, 21 de junho de 2010
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