quarta-feira, 29 de abril de 2026

A paz


 Às vezes a paz sai apressada da minha vida,
parte e parece não fazer caso do que eu sinto,
ficam as vozes alteradas, a palavra irrefletida
e eu fico no deserto, com o prelúdio da paz extinto.

Que se calem as vozes por um instante,
que renunciem a esse irrisório enredo,
que a fúria seja delírio, inspiração distante,
que a ira se levante tarde e se deite cedo.

As palavras alteram-se, cegas e sem rede,
são braços traiçoeiros que a agitação atrai,
grita aquele, grita este, irado, cheio de sede
de uma razão que enfastiada, também se vai.

Por isso, procuro o meu repouso longe de tanta tolice,
no terno ninho que a paz fez com carinho ardente
e distanciada das sentenças: tu disseste, eu disse,
achego-me a ele, enrosco-me lenta e docemente!

Ada Abaé


Sem comentários:

Enviar um comentário

“As palavras ganham nova vida quando partilhadas.
Agradeço o seu tempo e as suas palavras.”