quarta-feira, 29 de abril de 2026

Nunca pela metade

 

Se a hora assombra
saio da sombra;
a vida é demasiado querida
para a viver perdida
de intimidade
com quem gosta de viver pela metade.

Na vida a que me dou
sou aquilo que sou;
amo a doce sensação,
esta de voar
ao tocar
com os pés descalços no chão.

Tão bom poder eu
nesta doce sensação
sentir que o chão
também é meu.

Que terna unicidade,
alcançar a eternidade
na simples ação
de uns pés descalços no chão...
Viver por inteiro
nesta simplicidade,
da terra sentir o cheiro,
por inteiro,
nunca pela metade.

A vida é demasiado querida
para a viver perdida,
de intimidade
com quem gosta de viver pela metade.

Se a hora assombra
saio da sombra.

Ada Abaé


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