quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ninguém usa

 

Num dos cantos da varanda,
uma mesa de madeira
com quatro cadeiras
esperando alguém.
No outro canto,
uma cadeira de balouço.
Também vazia.

As flores medram ao sol
e os pássaros apresentam-se alegres.
O chão da varanda
acabou de ser lavado
mas ninguém sabe, ninguém veio ver.

A mesa ninguém usa
e as cadeiras
estão sempre arrumadinhas.
Nunca se escuta o estalar de uma cadeira.
Ninguém se senta nelas.

Mas todos devem estar felizes;
do interior da casa não saem ruídos.
... eles lá dentro e eu aqui fora
vendo o gato brincar na relva
e inspirando o aroma
de um chão acabado de lavar....
Há um traço próprio da minha infância
nos variados tons das rosas,
nos malmequeres,
nas folhas aromáticas das sardinheiras.
... e eles, lá dentro,
continuam silenciosos,
acordando as suas emoções
pelas avenidas da Internet...

O chão de uma varanda acabado de lavar
é deslumbrante,
é um atalho sorridente até ao jardim relvado,
onde refresco os pés e concerto a alma.
... e eles, lá dentro,
continuam silenciosos,
acordando as suas emoções
pelas avenidas da Internet...

O Autor do enxerto
deste perfeito momento poético
entre a minha varanda
e o meu humilde jardim,
merece um prémio Nobel.

Ada Abaé


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