Num dos cantos da varanda,
uma mesa de madeira
com quatro cadeiras
esperando alguém.
No outro canto,
uma cadeira de balouço.
Também vazia.
As flores medram ao sol
e os pássaros apresentam-se alegres.
O chão da varanda
acabou de ser lavado
mas ninguém sabe, ninguém veio ver.
A mesa ninguém usa
e as cadeiras
estão sempre arrumadinhas.
Nunca se escuta o estalar de uma cadeira.
Ninguém se senta nelas.
Mas todos devem estar felizes;
do interior da casa não saem ruídos.
... eles lá dentro e eu aqui fora
vendo o gato brincar na relva
e inspirando o aroma
de um chão acabado de lavar....
Há um traço próprio da minha infância
nos variados tons das rosas,
nos malmequeres,
nas folhas aromáticas das sardinheiras.
... e eles, lá dentro,
continuam silenciosos,
acordando as suas emoções
pelas avenidas da Internet...
O chão de uma varanda acabado de lavar
é deslumbrante,
é um atalho sorridente até ao jardim relvado,
onde refresco os pés e concerto a alma.
... e eles, lá dentro,
continuam silenciosos,
acordando as suas emoções
pelas avenidas da Internet...
O Autor do enxerto
deste perfeito momento poético
entre a minha varanda
e o meu humilde jardim,
merece um prémio Nobel.
Ada Abaé
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