Mais do que arte,
eu chamaria de sentimento
àquele que amando o mundo,
na vida se concentrou
e na terra pintou um quadro
que torna real este momento,
onde a chuva canta
a canção que o vento lhe ensinou.
A nuvem negra pelo relâmpago aclarada,
balança no ar sem o menor sinal de dor
e vestida da sua natural realeza,
aceita encantada
a forte voz do trovão
que lhe sabe falar de amor.
E cada gota de água é como um beijo na terra,
onde o solo se sente como ventre encantado,
germinando a semente na planície ou na serra,
demorando nos meus olhos
como um beijo demorado.
A quem devo agradecer tamanha beleza
ao poder sentir que na noite
tanta vida se acende,
se a nuvem esconder a lua,
o sol a fará luz acesa
e que a chuva se liberta
ao cair na folha
que a prende.
Ada Abaé
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