quarta-feira, 29 de abril de 2026

Aqui

 

Despeço-me lentamente da noite que se vai;
sinto o dia ainda como sombra encantada,
e ouço a chuva que mansamente cai,
acordando, inconsciente, a casta madrugada.

Entre a noite e o dia, a incerteza me enlaça,
hora nua, insensível e de rudes melodias,
saqueia da minha boca a tal graça
que apagaria, da minha alma,
as rugas fundas e frias.

Talvez eu sorrisse contente
após esta noite sempre acordada,
se visse o sol nascer no poente
e o sentisse, como eu, estrela desorientada.

Ada Abaé


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