Este ano, com o outono a prolongar-se por mais tempo do que o habitual, é em novembro que as aves começam a preparar a partida. Encontram-se em pleno voo, em passeios tranquilos, ora mergulhando nas águas calmas dos lagos, ora percorrendo as margens, onde a relva ainda guarda o calor dos últimos dias.
Para mim, é como encontrar um mundo novo ao virar da esquina, sempre que me disponho a acordar da apatia que me faz atravessar os dias sem os ver verdadeiramente. Ao presenciar estas imagens, dou por mim a pensar em como tantas vezes me perco em miragens distantes, impedindo-me de quase não viver este pequeno mundo que aqui se revela, com as aves a esquadrar o céu como um pincel multicolor e a preencher os silêncios com sons ruidosamente frescos.
Por que razão o que está longe é quase sempre melhor do que aquilo que nos rodeia?
Estes seres aparentemente tão simples são a obra visível de uma outra, mais complexa, que nos é impossível explicar. Sem relógio nem calendário, seguem o ritmo certo do instinto e da estação, embelezando a paisagem, os meus olhos e talvez os de mais alguém que pudesse estar por detrás de alguma janela.
Ada Abaé
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
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