Pontes
Hoje não necessitei de me refugiar na floresta. Algo emocionante aconteceu fora dela.
À vista de todos, embora nem todos tenham espírito inclinado a olhar e ver. Três representações diplomáticas anunciaram a sua presença num território gelado do norte. Não foi apenas um acontecimento diplomático. Foram humanos a demonstrar que podem viver em paz, independentemente da etnia e da situação geográfica.
Num mundo que frequentemente ergue bandeiras como se fossem muros, esta reunião, numa manhã gelada, demonstrou que é possível estar presente sem dominar, cooperar sem apagar, respeitar sem uniformizar.
Aquela ilha não é apenas um ponto estratégico no mapa, como alguns a querem fazer parecer. É um lugar vivo, com pessoas, cultura e história próprias.
Tocou-me a simplicidade dos presentes. Não houve discursos grandiosos nem promessas exageradas.
Esta cerimónia demonstrou que a diplomacia, quando cumpre a sua verdadeira função, não separa, mas aproxima. Cria pontes onde muitos preferem cavar fossos.
Num momento político tão ruidoso, em que quase ninguém se escuta, foi gratificante assistir a um diálogo entre humanos.
7 de fevereiro de 2026
Ada Abaé

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