O regresso ao caderno

 

    A hesitação é uma das armas que a nossa mente nos aponta para que adiemos uma ação, uma mudança.

    Com quase sessenta e seis anos, continuo a sentir que são inúmeras as mudanças que desejo fazer. Hoje refiro-me especificamente ao ato de escrever à mão, num caderno. Sem internet, longe de qualquer influência das redes sociais que tanto nos distraem.

    E porquê? Falta de inspiração, dificuldade de concentração e, consequentemente, procrastinação.
Como já referi inúmeras vezes, escrever, para mim, é vida. Por muito ocupados que sejam os meus dias, se não escrevo, sinto-me vazia.

    Ontem, enquanto tomava o pequeno-almoço, pensei:
— É hoje. Hoje vou comprar um caderno e reiniciar a escrita manual.
Acabei de comer, lavei a louça, dirigi-me ao closet e escolhi a roupa (sou muito rápida nisso), tomei um duche, espalhei um óleo no rosto, penteei-me e sorri para mim. O espelho devolveu-me o sorriso.
— Gosto de ti — murmurei.
Quão bem nos podemos fazer.

    Depois, equipei-me para enfrentar o frio: botas grossas, casaco tão quente que apenas se pode usar em dias bem frios, luvas, cachecol e gorro de lã. Lá fui eu. Tentando não escorregar no gelo, cheguei ao carro. Estava bem gelado. Aguardei um pouco até o motor aquecer e conduzi devagar até à loja.

    Após analisar vários cadernos diferentes, escolhi este, onde neste momento estou a escrever.

    Por que é tão importante não esquecer os passos que damos até à concretização do que desejamos? . Raramente, quando fraquejamos, pensamos no caminho percorrido, no esforço investido. Recordá-los ajuda-nos a não desistir.


13 de janeiro-2026
Ada Abaé


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