Pancadas estranhas

 










Por vezes a vida detém-se, definha
na espiga na eira envolvida com o pó
sob o sol do estio que a vai secando...

Por vezes a vida detém-se, definha
na espiga na eira envolvida com o pó
que vai esvaziando
sob as pancadas do mangual,
escravo das mãos do lavrador
que é escravo da própria dor.

Por vezes a vida detém-se, definha
nas pancadas do mangual
que numa explosão
bate no chão,
escravo do lavrador
que morde o suor
como quem não sabe do que é feita a vida
mas adivinha;

a vida de pancadas estranhas
não se detém e ele,
ele definha...


Ada Abaé


Aos homens que, de sol a sol, labutavam nos campos e nas eiras.

Imagem produzida no Canva

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