quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Contenção


Vivo dentro de um corpo
há mais de meio século.
Ele é a minha casa, o meu lar.
Como é possível viver dentro de uma casa
sem dela sair nem um só instante
e não conhecer
cada recanto seu?

Na confusão que me tornei,
tornei-me confusa
para o meu corpo.

Corpo!

Escrevo e penso nesta palavra
como se fosse algo simples,
ignorando voluntariamente
entender todo o mecanismo a que ele recorre
apenas para que eu possa dar
um pequeno passo.

Enquanto me sujeitar a represa
alimentada por rios contaminados,
serei represa presa,
impedindo qualquer nascente limpa
de entrar e expulsar
as águas tóxicas.

Ada Abaé

escrito- 1 de maio de 2026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Sinto-te assim


De tão sincero o teu amor se tornou o meu abrigo,
a tua ternura a minha companheira, a minha luz...
A tua paixão é o meu luar ao estar contigo
e os teus lábios o carinho que me seduz!

E tantas vezes em que a tristeza me cerca,
o teu abraço vem sem eu pedir, protector
e para que minha alma numa ilha não se perca,
sem nada pedir, te ofereces em forma de amor!

Tu és o segredo doce que a vida me deu,
tu és o murmurar que o meu sono acalma,
tu és o ombro onde a minha certeza nasceu,
tu és a paz que vive na minha alma!

A paz que me ofereces é o meu passo seguro e certo.
O teu esquecer de ti para seres o meu céu
faz crescer o desejo de te ter por perto
sentindo que o teu amor, a minha solidão venceu!

Ada Abaé

poema escrito- 2010